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Brasão da Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal do Ceará
Programa de Pós-Graduação Profissional em Psicologia e Políticas Públicas

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Projetos de Pesquisa (2025-2028)

Determinantes Sociais, Iniquidades e Comunicação em Saúde: Perspectivas Psicossociais e Implicações para as Políticas Públicas em Saúde

Coordenador: Alex Sandro de Moura Grangeiro

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

A produção de saúde no Brasil é atravessada por desigualdades estruturais que influenciam os desfechos em saúde. Nesse contexto, múltiplos determinantes sociais (como nível socioeconômico, pertencimento étnico-racial, identidade de gênero e escolaridade) entrelaçam-se de forma complexa, intensificando vulnerabilidades e processos discriminatórios que perpetuam desigualdades e iniquidades em saúde. Como efeito dessa interseccionalidade, grupos sociais historicamente minorizados enfrentam barreiras persistentes de acesso e qualidade do cuidado, além de maior exposição a fatores de risco, o que resulta em diferenças sistemáticas, injustas e evitáveis no estado de saúde entre distintos grupos populacionais. Somado a isso, a intensificação da circulação de desinformação em saúde acrescenta uma camada adicional de complexidade, interferindo em práticas preventivas, percepções de risco, confiança nas instituições de saúde e adesão a cuidados. Esse fenômeno, de natureza psicossocial, constitui um desafio crescente para o campo da Saúde Pública e tende a afetar de modo desproporcional grupos já vulnerabilizados, contribuindo para aprofundar as iniquidades existentes. Diante desse cenário, torna-se evidente que os processos que produzem e mantêm iniquidades em saúde são multidimensionais e interdependentes, exigindo, para sua compreensão, a articulação entre dimensões subjetivas, psicossociais e políticas. Desse modo, esse projeto guarda-chuva tem por objetivo integrar intervenção e avaliação de práticas e políticas públicas em saúde, que promovam equidade, educação em saúde e qualificação do cuidado no SUS, a partir da articulação entre Psicologia, Saúde Coletiva e Políticas Públicas. De forma específica, o projeto se estrutura em quatro objetivos específicos, a saber: (1) investigar iniquidades em saúde e seus efeitos sobre populações vulnerabilizadas, incluindo o desenvolvimento e adaptação de instrumentos psicológicos sensíveis à realidade dessas populações; (2) desenvolver e aplicar metodologias de avaliação de políticas, programas e ações de saúde; (3) estudar práticas de educação em saúde e letramento em saúde em contextos comunitários, institucionais e de privação de liberdade, incluindo a construção e validação de instrumentos para mensurar letramento em saúde, percepção de risco e comportamentos relacionados à saúde; e (4) analisar o papel da disseminação de desinformação e de fake news na percepção de risco e adesão a cuidados. A perspectiva metodológica a ser adotada é a abordagem quantitativa ou mista, podendo envolver estudos transversais, longitudinais ou experimentais, análises de dados secundários, modelagem estatística e estudos psicométricos. Parcerias com serviços do SUS, escolas, unidades prisionais ou outras instituições públicas fortalecerão o caráter aplicado da pesquisa. Como repercussão social, o projeto visa contribuir para o aprimoramento de políticas públicas de saúde, qualificação de práticas de cuidado, fortalecimento da comunicação em saúde baseada em evidência e promoção da equidade no SUS. Já como potenciais produtos técnicos, destacam-se a produção de: (1) Relatórios técnicos de avaliação de políticas públicas; (2) Materiais educativos; (3) Escalas psicométricas adaptadas para populações historicamente vulnerabilizadas; (4) Diagnósticos situacionais e psicossociais sobre iniquidades em saúde, racismo institucional, percepções de risco e letramento em saúde; (5) Oficinas e capacitação para profissionais

Psicanálise, Clínicas Públicas e Dispositivos de Escuta Territorial

Coordenadora: Ana Carolina Borges Leão Martins

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

O presente projeto guarda-chuva se propõe a investigar e implementar dispositivos clínico-políticos de escuta territorial na articulação com as políticas públicas de saúde, educação e assistência. Partimos da pluralidade de práticas de escuta em clínicas públicas de orientação psicanalítica, empreendidas em instituições ou em espaços abertos/comunitários, retomando-as no intento de desenvolver tecnologias que fortaleçam as articulações em rede, que considerem as especificidades locais e que contribuam para o enlace entre as demandas singulares e a implementação de políticas públicas setoriais. A tradição de produzir o enlace entre singular e coletivo, na relação com a territorialidade, remonta ao contexto brasileiro de reforma psiquiátrica, em que as práticas de escuta em espaços abertos, em espaços públicos, demonstraram-se necessárias aos processos de des-hospitalização e de re-inserção da população às suas comunidades. Retomando esse contexto e acrescentando as recentes iniciativas com clínica públicas de psicanálise sem a ingerência do Estado, recuperamos a bibliografia existente sobre escuta territorial e construção de dispositivos clínico-políticos em instituições e/ou comunidades para avançar em três objetivos ao longo do próximo quadriênio: 1. mapear os dispositivos de escuta territorial em psicanálise já em curso no país, discutindo criticamente as metodologias de inserção territorial existentes; 2. vislumbrar os efeitos clínico-políticos desses dispositivos, em sua articulação com as políticas públicas e instituições; 3. Promover a criação de dispositivos clínico-políticos em contextos comunitários e institucionais em Fortaleza e em Sobral, no âmbito da iniciação científica e do mestrado profissional. A análise dos resultados partirá dos diários de campo e dos fragmentos clínicos frutos da experiência dos alunos com as clínicas públicas, que serão discutidos via dispositivo de intervisão. À diferença da supervisão individual, a intervisão contará com um trabalho de elaboração coletiva sobre os casos clínico-polítcos e com a contribuição de “visões” outras, de autores para além da psicanálise (psicologia, filosofia política, sociologia, etc.), tensionando as nossas relações com os demais campos do saber. A produção técnica potencial se refere à promoção de eventos sobre clínicas públicas em âmbito local e nacional e à produção de relatórios técnicos acerca dos dispositivos clínico-políticos implementados, construídos em parceria com os/as alunos/as e com os profissionais da rede de saúde envolvidos/as no projeto.

Saúde mental e Psicanálise

Coordenadora: Camilla Araújo Lopes Vieira

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

Aborda e problematiza questões sobre a práxis da clínica em saúde mental no âmbito das políticas públicas e suas implicações para o fenômeno das subjetividades contemporâneas e nas relações sociais com a Psicanálise como referência. O sintoma, o sofrimento e o mal estar têm sido abordados e evidenciados em diversos contextos e formas de expressão, ao mesmo tempo em que a clínica vem sendo negligenciada em nome de soluções rápidas e que atendem às demandas de mercado e da medicalização da vida e dos comportamentos. Nesse sentido, o recurso à palavra é cada vez mais esquecido. A clínica, como campo operatório, conceitual e político, atravessa as políticas públicas, as práticas sociais e de saúde mental, remetendo à relevância da escuta do um a um, para garantir a diversidade da dor e dos conflitos humanos. Considerando as manifestações do sofrimento psíquico, estes devem ser compreendidos em cenários como o mundo do trabalho, da saúde mental na atenção primária, das políticas públicas e matriciamento, do cuidado às crianças e adolescentes e às pessoas longevas/idosas. É essencial o desenvolvimento de programas, projetos e estratégias metodológicas e de investigação para intervenções nos cenários de formação e educação em saúde, não sem a consideração da diferença entre o sujeito e o cidadão. Objetivo geral: refletir as relações entre clínica, saúde e políticas públicas no campo das subjetividades e da saúde mental e atenção psicossocial. Objetivos específicos: 1) compreender o campo da clínica psicanalítica e do laço social nos diversos cenários de intervenção; 2) discutir os processos de atenção à saúde mental nas políticas públicas; 3) analisar como tem sido vividas e consolidadas as práticas clínicas no âmbito da saúde coletiva nos mais variados níveis de atenção; 4) construir estratégias metodológicas e metodologias ativas para o fortalecimento da clínica como dispositivo à subjetividade; 5) fortalecer a formação educacional e reflexão crítica acerca do dispositivo clínico em seus aspectos ético-políticos; 6) oportunizar a clínica como recurso teórico metodológico à prática em saúde e saúde mental nas políticas públicas.

Promoção de Competências Socioemocionais em Estudantes Universitários e Profissionais das Políticas
Públicas: Desenvolvimento, Adaptação, Aplicação e Avaliação de Intervenções Baseadas em Evidências

Coordenadora: Clarissa de Pontes Vieira Nogueira

Linha de Pesquisa: Educação e Políticas Públicas

A permanência e o desenvolvimento de estudantes universitários em instituições de ensino superior, assim como a atuação qualificada de profissionais das políticas públicas, estão associados a fatores emocionais, relacionais e contextuais que impactam o bem-estar, o desempenho e a efetividade das práticas institucionais. A promoção de competências socioemocionais entre esses públicos configura-se como uma estratégia relevante, tanto no cuidado com a saúde mental dos estudantes e profissionais, quanto no fortalecimento das práticas dos profissionais que atuam em dispositivos do SUS, SUAS e outras políticas públicas em Sobral e municípios da região. Ao mesmo tempo, tais intervenções complementam a formação de futuros e atuais profissionais, contribuindo para práticas mais sensíveis às demandas sociais. Este projeto tem como foco estudantes universitários e profissionais de políticas públicas de Sobral e municípios da região, visando desenvolver, adaptar, implementar e avaliar protocolos de treinamento de competências socioemocionais baseados em evidências. As intervenções poderão se basear em modelos da Análise do Comportamento, da Terapia Cognitivo-Comportamental e das Terapias Comportamentais Contextuais, além de outras abordagens empiricamente validadas. O objetivo geral é contribuir para a formação integral de estudantes universitários e para o aprimoramento do trabalho de profissionais das políticas públicas por meio do fortalecimento de habilidades socioemocionais relevantes para a saúde mental e para a atuação profissional. Os objetivos específicos incluem: (1) mapear demandas e necessidades específicas de competências socioemocionais entre estudantes universitários e profissionais de diferentes áreas de políticas públicas, com base em levantamentos psicométricos e estudos qualitativos; (2) desenvolver e/ou adaptar protocolos de treinamento de competências socioemocionais alinhados às necessidades identificadas e aos referenciais teóricos escolhidos; (3) implementar intervenções em contextos universitários e institucionais e avaliar seus efeitos por meio de delineamentos quase-experimentais; (4) analisar a inserção dessas intervenções no âmbito das políticas públicas, por meio de pesquisas documentais, teóricas e revisões sistemáticas. A pesquisa terá caráter quanti-quali e integrará diferentes metodologias, incluindo: levantamentos psicométricos para avaliação de repertórios e dificuldades emocionais e relacionais; estudos quase-experimentais para avaliação de protocolos de intervenção; pesquisas qualitativas com estudantes universitários e profissionais; estudos de caso sobre os efeitos dos treinamentos na prática cotidiana de profissionais atuantes em dispositivos de políticas públicas; pesquisas teóricas e de desenvolvimento de protocolos de intervenção; revisões sistemáticas e integrativas; pesquisas documentais voltadas à análise de diretrizes de políticas públicas; pesquisas correlacionais em contextos institucionais visando identificar relações entre competências socioemocionais e indicadores de bem-estar, formação e atuação profissional. Espera-se que este projeto contribua para a formação mais integral de estudantes universitários, para o fortalecimento das práticas dos profissionais das políticas públicas, para a promoção da saúde mental e para a produção de evidências que subsidiem a formulação e avaliação de programas e práticas formativas em diferentes contextos.

Saúde Mental e Desenvolvimento Infantojuvenil: Estudos, Avaliação e Intervenções em Terapia Cognitivo-Comportamental

Coordenadora: Darlene Pinho Fernandes de Moura

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

A saúde mental tem se apresentado como uma das principais preocupações globais, dada sua complexa relação com o bem-estar individual, os vínculos sociais e a produtividade econômica. Fatores psicossociais, emocionais e comportamentais desempenham papel crucial na manutenção da saúde mental desde a infância, sendo essenciais para a prevenção de transtornos mentais e a promoção de trajetórias saudáveis de desenvolvimento. Nesse contexto, torna-se importante propor pesquisas que considerem os diferentes ciclos do desenvolvimento humano — infância, adolescência e idade adulta — com o objetivo de promover compreensão, avaliação e intervenção sobre variáveis relacionadas à saúde mental infantojuvenil e à parentalidade. A Terapia Cognitivo-Comportamental, por sua abordagem estruturada e base empírica robusta, tem se destacado como uma das formas mais eficazes de intervenção psicológica em diferentes populações e contextos culturais. Além disso, o estudo sobre a construção, adaptação e validação de instrumentos psicológicos permite uma avaliação mais precisa, além de se configurar como recurso útil na triagem e monitoramento de intervenções em contextos clínicos, escolares e comunitários. No que diz respeito ao desenvolvimento infantojuvenil, variáveis como práticas parentais, regulação emocional, habilidades sociais têm se mostrado associadas a comportamentos internalizantes e externalizantes. Tendo isso em vista, tem-se o objetivo geral de integrar estudos voltados à compreensão de aspectos psicossociais, emocionais e comportamentais associados à saúde mental nos diferentes ciclos do desenvolvimento humano. Especificamente, pretende-se: 1) construir ou adaptar instrumentos psicológicos relacionados à saúde mental de crianças, adolescentes, adultos e em seus cuidadores; 2) propor, implementar e avaliar intervenções baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental em contextos clínicos e ou de saúde, educacionais e sociais, bem como 3) aprofundar o conhecimento sobre as variáveis demográficas, psicossociais e emocionais que se relacionam com o comportamento infantojuvenil.  A metodologia contemplará abordagem quantitativa ou mista, podendo envolver  estudos psicométricos, correlacionais, explicativos, e poderá ter como público-alvo: crianças, adolescentes, jovens, pais, professores e outros cuidadores.  Espera-se que a proposição de instrumentos psicometricamente válidos e precisos, a construção de protocolos de intervenção baseados em evidências e a compreensão de variáveis explicativas contribuirão não apenas para a prática clínica, mas também para o delineamento de intervenções e políticas públicas. Como potenciais produtos técnicos, destacam-se:  produção de artigos científicos e/ou capítulos livros,  instrumentos psicométricos válidos voltados para pesquisa e/ou avaliação, protocolos de intervenção, manuais, palestras, cartilhas e cursos de formação e/ou capacitação para profissionais e cuidadores.

Tempo e organização de trabalho: impactos subjetivos nos trabalhadores das Políticas Públicas

Coordenador: Iratan Bezerra de Sabóia

Linha de Pesquisa: Educação e Políticas Públicas

O trabalho é, na contemporaneidade, a atividade e o tempo central da sociedade, sua importância extrapola os limites da produção de bens de consumo e aquisição dos meios materiais de existência. Ele se converteu em parâmetro moral de conduta social e atividade primária de subjetivação dos sujeitos. Considerando esses fatores, o trabalho é também origem de diversos agravos à saúde física e mental, existindo entre eles os que são de fundo exclusivamente laboral, como a Síndrome de Burnout. O entendimento ampliado de trabalho compreende não apenas os espaços formais de atividade laboral, mas, mais do que isso, os espaços formativos que preparam para o exercício profissional. Nesse sentido, alicerçados na Psicologia Social do Trabalho, buscamos compreender os impactos subjetivos que a atual lógica produtivista gera nos sujeitos nos diversos espaços que compõem as políticas públicas (trabalhadores e trabalhadores em formação). Os objetivos específicos são 1) compreender a organização temporal e de trabalho nas políticas públicas; 2) identificar as repercussões da intensificação do trabalho na subjetividade desses trabalhadores; 3) analisar a interferência da lógica produtivista no processo de trabalha e formativo e suas repercussões na subjetividade; 4) identificar possibilidades de mudanças nas políticas públicas para minorar possíveis impactos nocivos à saúde desses sujeitos. Com base teórica a Psicologia Social do Trabalho e tendo como público trabalhadores (aposentados, em atividade ou em formação) das políticas públicas de Sobral, a pesquisa prioriza uma abordagem qualitativa, com delineamento de campo podendo apresentar em suas etapas diferentes procedimentos técnicos (como pesquisa documental, estudo de caso ou pesquisa-intervenção). Os desdobramentos de produtos técnicos comportam potencialmente: produtos de comunicação, bibliográficos, consultorias, editoração, cursos para formação profissional e manuais e protocolos.

Pesquisa-intervenção: articulação das políticas públicas e práticas de cuidado em saúde no campo dos direitos sexuais e reprodutivos

Coordenadora: Juliana Vieira Sampaio

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

A Política Nacional de Direitos Sexuais e de Direitos Reprodutivos, lançada em 2005 no Brasil, foi resultado da articulação entre diferentes ministérios, secretarias e movimentos sociais, como estratégia de defesa e respeito à autonomia, a maximização dos benefícios e minimização dos prejuízos, a equidade e a diversidade cultural, étnica, sexual, religiosa etc. Porém, perspectivas conservadoras e moralizantes da sexualidade, têm se oposto às mudanças impulsionadas pelos movimentos políticos e sociais, dessa maneira, faz-se necessária intervenções e pesquisas em defesa das políticas públicas no campo dos direitos sexuais e reprodutivos. Assim, propomos a seguinte pergunta de pesquisa: Como produzir práticas de cuidado em saúde alinhadas aos direitos sexuais e reprodutivos? Temos como objetivo principal, criar práticas de cuidado em saúde alinhadas aos direitos sexuais e reprodutivos e como objetivos específicos:1) Mapear no território grupos, coletivos, movimentos sociais, serviços, instituições, ONG que desenvolvem práticas alinhadas aos direitos sexuais e reprodutivos; 2) Identificar as demandas e potencialidades relacionadas aos direitos sexuais e reprodutivos dos usuários dos serviços de saúde; 3) Analisar os efeitos do modelo biomédico na saúde sexual e reprodutiva dos usuários dos serviços de saúde; 4) Partilhar estudos, experiências e formações sobre direitos sexuais e reprodutivos com estudantes e profissionais da saúde. Esse projeto de pesquisa tem como dispositivo principal a pesquisa-intervenção e se embasa epistemologicamente com os teóricos alinhados a perspectiva queer, feminismo pós-estrutural, interseccional e pós-colonial. Buscamos com este projeto a produção de conhecimentos e práticas socialmente situados, alinhados com o compromisso social e justiça ético-política-científica, que fomentem e fortaleçam as políticas públicas do campo dos direitos sexuais e reprodutivos, promovendo novos devires mais criativos e potentes.

Autismo, Psicanálise, Psicopatologia e Políticas Públicas: estrutura, diagnóstico e cuidado

Coordenador: Luis Achilles Rodrigues Furtado

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

A cidade de Sobral e o Serviço de Psicologia Aplicada – S.P.A. da UFC no Campus de Sobral apresentam uma demanda constante e urgente de atendimento clínico de sujeitos com grave sofrimento psíquico, sejam eles crianças, adultos ou adolescentes. Este trabalho já vem sendo realizado há mais de uma década. Em 2022 foi aprovada uma lei municipal em Sobral (LEI Nº 2207 DE 19 DE JANEIRO DE 2022) que visa a efetivação dos cuidados e proteção dos direitos das pessoas autistas e seus familiares. Considerando este marco legal sobre uma política pública efetiva destinada aos autistas e suas famílias, este projeto busca atender a esta demanda e, desta experiência, promover o retorno à sociedade através dos resultados de suas pesquisas. Ademais, o trabalho com os conceitos na pesquisa, no ensino (de graduação e pós-graduação) também nos permite questionar fatos que têm sido tomados como óbvios, a saber: a correspondência de diversos quadros clínicos diferentes sob um grande termo como Transtorno do Espectro do Autismo. As consequências disso é uma lógica desenfreada de diagnósticos e exigências de acesso às mesmas políticas públicas a que este projeto se refere. Paralelamente ao surgimento e à urgência dessa demanda, a proximidade das ações de extensão, atividades de pesquisa e ensino com a rede pública de saúde de Sobral, especialmente no que se refere à saúde mental e os diversos níveis de atenção à saúde, também justifica a realização de uma pesquisa que articule não só o campo da psicanálise com sujeitos em grave sofrimento psíquico, mas toda a discussão em torno da conjunção dos dois campos: psicanálise e saúde pública. Além de se associar a um movimento nacional em conjunto com outras universidades, este projeto, que leva em consideração esses temas, já se realiza através de supervisões clínicas, construção de casos, orientações de iniciação científica e de mestrado no curso de Mestrado em Psicologia e Políticas Públicas da Universidade Federal do Ceará – Campus de Sobral. Tem como objetivo geral investigar a realidade e a prática do atendimento clínico direcionado a pessoas com sofrimento grave e persistente e suas famílias, bem como salientar as dimensões estruturais do sujeito. Os objetivos específicos são (1) investigar as problemáticas que tocam a articulação entre Psicanálise e Política Pública de Saúde no que tange a noção de sujeito, estrutura e as questões de sua relação com o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista; (2) investigar os aspectos epistemológicos de base que implicam consequência no estabelecimento de políticas públicas universais; (3) investigar e analisar as relações da psicanálise com o campo da política pública e suas interrelações com o campo da neurodiversidade, (4) investigar e intervir nas questões relativas à temática do laço social como discurso e aparelhamento do gozo pela linguagem. A pesquisa terá caráter qualitativo a partir do referencial teórico metodológico da Psicanálise, seguindo a obra de Freud e o ensino de Lacan. Os casos estudados poderão derivar dos diversos produtos técnicos a serem produzidos na pesquisa, ou seja, das intervenções clínicas e institucionais, intervenções técnicas, sessões clínicas e assessorias realizadas nos diversos dispositivos de atendimento público direcionados às pessoas em grave sofrimento psíquico. Ademais, se necessário, incluem-se nessas instituições as escolas e os hospitais desde que a realidade local imponha essa necessidade.

Saúde e Gênero no Contexto do Cuidado Familiar: Sofrimento Psíquico, Qualidade de Vida e Políticas Públicas

Coordenadora: Maria Suely Alves Costa

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

A família é a instituição social encarregada de transformar um organismo biológico em ser humano. A família vai exercer e representar suas reais funções que aqui designamos de: função ligada à reprodução biológica; e função ligada à reprodução social. E nessa perspectiva a família traz em si um conjunto de funções, nossos estudos irão destacar a função do cuidar, o cuidado voltado para manutenção das rotinas diárias e os cuidados aos membros que por algum motivo requer um suporte individualizado. O cuidador é a pessoa, da família ou não, na sua maioria mulher, que presta cuidados à pessoa que apresenta dependência (em maior ou menor grau). O aumento do risco de doenças crônicas não transmissíveis podem causar dependência e incapacidade Em várias partes do mundo, cabe às famílias a principal responsabilidade pelos cuidados e suporte financeiro dos seus dependentes. Os custos gerados podem ser demasiado altos para os membros ativos. As famílias no mundo inteiro passam por mudanças em sua organização, ocasionadas por diferenciados motivos: separações, divórcios e novas uniões; instabilidade do mercado de trabalho e movimentos migratórios nacionais e internacionais, em busca de oportunidades de trabalho; maior tempo de vida das gerações e um aumento do contingente de idosos. Estudos atuais referem que a crise do sistema de saúde e de proteção social, no decurso das duas últimas décadas, proporciona e confere novamente aos cuidadores familiares a responsabilidade pelos cuidados como complemento à ação do Estado. Denominam-se cuidados familiares os que são executados de forma não antecipada, não remunerada, podendo abranger a totalidade ou apenas uma parte deles. Assim, o cuidador refere-se à principal pessoa responsável por promover ou coordenar os recursos requeridos pelo paciente. É importante desenvolver políticas de saúde que promovam a escuta integral do cuidador, principalmente as voltadas ao ensino, suporte socioeconômico, assim como aquelas destinadas a ajudar as pessoas a viverem com as incertezas e as limitações que o seu papel como cuidadoras lhes impõe. Os serviços de saúde devem atentar para a saúde dos cuidadores de pacientes crônicos e as políticas de saúde proporcionar às equipes formação, apoio instrumental e social, para que pacientes e cuidadores possam colaborar nos cuidados, bem como para promover a sua qualidade de vida. Os fatores sociodemográficos, clínicos e psicológicos auxiliam na compreensão do perfil do cuidador familiar e, quando avaliados, são possíveis mediadores da associação entre a prestação de cuidados, a qualidade de vida e o bem-estar. Considerando-se este contexto, o objetivo geral é conhecer a percepção dos cuidadores familiares sobre o cuidado e contribuir para a criação de programas de intervenção psicológica, a partir da avaliação do bem-estar e da qualidade de vida de cuidadores de pacientes crônicos no período de 2025 a 2028. Os objetivos específicos são 1) A partir de um perfil geral do cuidar familiar, identificar características específicas do cuidador que se relaciona a uma patologia específica. 2) construir instrumentos que permitam mensurar variáveis específicas dos cuidadores familiares; 3) viabilizar a construção de estratégias de intervenção no campo das políticas públicas de saúde do cuidador, tendo como foco a dimensão psicossocial e a atuação multidisciplinar. A pesquisa terá caráter qualiquantitativo e será realizada a partir de estudos de políticas públicas voltadas a pessoas com algum nível de dependência e serviços prestados a essa população. Os casos estudados derivaram de intervenções, pautadas nos modelos teóricos das teorias comportamentais. Espera-se que esta investigação contribua para a melhoria das condições do cuidar familiar; dê subsídios para problematizar e aprimorar a prática dos profissionais de Psicologia e de áreas afins e contribua para a discussão e o aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas à saúde do cuidador familiar.

Psicologia Humanista e políticas públicas na prevenção do suicídio: estudos e intervenções na promoção da saúde mental

Coordenador: Márcio Arthoni Souto da Rocha

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

O suicídio, entendido como um problema de saúde pública, afeta todos os anos milhares de pessoas pelo mundo. É um fenômeno com múltiplas causalidades e possui uma complexidade de fatores envolvidos que, para sua adequada compreensão, é necessário um aprofundamento criterioso, resultado de pesquisas e ações preventivas exitosas. No Brasil, o suicídio tem se mostrado como um problema que vem crescendo e exigindo, dos diversos setores, planejamento de ações que possam lidar adequadamente com essa situação. Essa condição se repete também no estado do Ceará, o que de certa forma, nos coloca diante de um cenário que desvela o sofrimento psicológico que tantas pessoas dessa região estão passando. Uma vez que estudos e intervenções possam aumentar a compreensão do comportamento suicida, esperamos poder contribuir com a redução do impacto nas pessoas que vivenciam a finitude como sofrimento insuportável e oferecer novas contribuições que diminuam a recorrência de comportamentos suicidas ou autolesivos. A Psicologia Humanista, por sua vez, tem oferecido um tipo escuta empática que vem se mostrando necessária no suporte e acompanhamento de pessoas em risco suicida. A estratégia do Plantão Psicológico é uma das ações que viabilizam de maneira segura essa escuta. Na interface entre escuta clínica e intervenção social cabe-nos procurar desenvolver estratégias que permitam a redução do risco e o acompanhamento eficaz de pessoas com comportamento suicida. Desta forma, este projeto tem como objetivo geral compreender as relações entre o fenômeno do suicídio, a escuta clínica e as estratégias de prevenção adotadas no sistema de saúde. Tem, ainda, como objetivos específicos: 1. conhecer e analisar políticas públicas de prevenção e posvenção do suicídio; 2. identificar modelos ativos de intervenção que tem contribuído com a prevenção do suicídio; 3. contribuir com a articulação de setores da sociedade para desenvolver estratégias de prevenção; 4. desenvolver um protocolo de escuta terapêutica, baseada na Psicologia Humanista, que favoreça a prevenção do suicídio. Propõe-se a pesquisar a partir do método fenomenológico e de outras modalidades qualitativas de investigação, como a pesquisa-ação e o estudo de caso. Ainda poderão fazer parte da pesquisa estudos epidemiológicos, desde que se mostrem necessários e complementares para o alcance dos objetivos. O projeto tem como público-alvo pessoas que estão em atendimento na rede de atenção básica e que estejam sendo acompanhadas em razão de algum comportamento suicida, tais como, ideação, planejamento ou tentativas. Espera-se produzir instrumentos teóricos e estratégias de intervenção como cartilhas de orientação à prevenção do suicídio, guia de itinerário terapêutico para pessoas em crise suicida, assim como outros que ajudem na promoção da saúde mental, contribuindo com o aprimoramento das políticas públicas já institucionalizadas.

Envelhecimento Negro e indígena e injustiça epistêmica: Enfrentamentos e Impactos para populações vulnerabilizadas

Coordenadora: Nara Maria Forte Diogo Rocha

Linha de Pesquisa: Educação e Políticas Públicas

O envelhecimento da população brasileira, devido à sua aceleração, demanda maiores estudos, sobretudo no campo das políticas públicas. Neste âmbito, pessoas negras e indígenas precisam de maior atenção, focalizando intersecções étnicas e de gênero, devido à sua contínua vulnerabilização pelo racismo estrutural. A injustiça epistêmica diz respeito à desconsideração dessas pessoas como sujeitos de saber, capazes de produzir conhecimento, o que é agravado pelo etarismo. Este estudo articula projetos que pretendem , de modo mais amplo analisar a injustiça epistêmica e suas consequências em relação às populações idosas de territórios vulneráveis ou ameaçados. Especificamente 1) investigar impactos da injustiça epistêmica na saúde mental de populações idosas negras e/ou indígenas vulneráveis, com atenção a seus afetos e modos de vida 2) Compreender estratégias de fortalecimento do enfrentamento à injustiça epistêmica, enfocando a qualificação dos profissionais de políticas públicas envolvidos e os processos de escuta aí implicados. 3) abordar aspectos afetivos, intergeracionais, territoriais envolvidos na construção de saber pelas pessoas idosas negras e /ou indígenas respeito de si e de seus contextos 4) Articular dimensões artísticas e criativas às análises das trajetórias de vida de pessoas negras e/ou indígenas em seus territórios 5) Desenvolver métodos, processos, tecnologias que façam avançar o conhecimento psicológico na atenção à estas populações. Estes estudos fundamentam-se teoricamente nas perspectivas do pensamento feminista negro e indígena, a partir dos entendimentos sobre epistemicídio, interseccionalidade, racialização, colonização e contra-colonização, bem viver. Metodologicamente trabalha com pesquisas interventivas cujo percurso se define em diálogo com os participantes, eticamente considerando tempos e ações concernentes aos contextos e pessoas envolvidas. Analiticamente convoca as referências teóricas para a construção de categorias que colaborem para uma maior aproximação das políticas públicas daqueles a quem deve atender. Propõe como resultados produtos técnicos como cursos de extensão, cartilhas profissionais, podcasts, além de relatórios, artigos e dissertações, dentre outras estratégias de divulgação científica e impacto comunitário.

Estudos e Intervenções em Gênero, Políticas Públicas e Análise do Comportamento

Coordenadora: Natália Santos Marques

Linha de Pesquisa: Educação e Políticas Públicas

A violência contra a mulher, assim como violências raciais, estão profundamente enraizadas nas estruturas sociais, que normalizam relações de dominação e subordinação entre homens e mulheres e entre pessoas racializadas e não racializadas, em especial negros e brancos. Ao mesmo tempo, a compreensão dessas violências como um problema social é bastante recente (datando dos movimentos sociais, em especial a partir da década de 70), sendo antes compreendidas como condutas da esfera privada relativa a problemas interpessoais naturalizados. Apesar da ampliação do nível de compreensão social acerca desses problemas, bem como da implementação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento desses problemas sociais, assistimos ao aumento nos índices de violência contra a mulher no Brasil como um todo e também no Estado do Ceará, bem como o aumento de episódios de violência em contextos escolares. Tais condições sinalizam a necessidade de ampliação dos estudos e pesquisas relacionadas aos problemas derivados do gênero e suas interseccionalidades, bem como a investigação de diferentes estratégias de intervenção, tanto preventivas quanto de enfrentamento, por exemplo pela promoção de uma educação anti-racista e anti-misógina como estratégia de prevenção às violências, e pela intervenção junto a vítimas de violências gênero. Além dos altos índices de violências de gênero e racial, a recente criação da Casa da Mulher Cearense em diversos Municípios do Estado do Ceará, como em Sobral e Quixadá, e a implementação das diretrizes de formação em competências socioemocionais nas escolas criam demandas para a produção de conhecimento sólido sobre as dinâmicas de funcionamento, as variáveis relacionadas e estratégias de intervenção e prevenção às mais diversas violências às quais mulheres estão sujeitas na sociedade, bem como o desenvolvimento de práticas educacionais capazes de promover uma educação pautada na equidade de gênero e racial. Compreende-se a Educação para além dos muros escolares, expandindo-se os processos educacionais à construção de habilidades comportamentais, sociais e emocionais a estudantes e a outros agentes da sociedade envolvidos em problemáticas relacionadas ao gênero, como a violência contra a mulher. Assim, junto com os sujeitos que cotidianamente pensam suas questões, busca-se experimentar a construção de uma cultura anti misógina e anti racista via produção de conhecimento e tecnologias de intervenção nos mais diferentes contextos sociais que envolvem problemas de gênero, como intervenções de letramento racial e de gênero nas escolas, além de intervenções junto a profissionais envolvidos no enfrentamento à violência contra a mulher e mulheres vítimas de violência doméstica. Tendo em vista esse contexto social, bem como os potenciais de análise e intervenção das ferramentas teórico-metodológicas da análise culturo-comportamental à compreensão e intervenção frente a fenômenos comportamentais e sociais, o projeto visa ser um espaço de articulação de estudos teóricos, básicos e aplicados e tecnologias de intervenção produzidos em diversas iniciativas de pesquisas que têm em comum o estudo e/ou intervenção em problemas relacionados ao gênero, com ênfase no tema da prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher no campo interdisciplinar da Educação e Políticas Públicas, sendo a interseccionalidade com a raça também explorada. Os objetivos específicos são 1) compreender as relações entre experiências de violência doméstica e saúde mental, percepção de suporte social e crenças sobre relacionamentos em mulheres adultas brasileiras; 2) avaliar os efeitos da exposição a uma intervenção em grupo com mulheres vítimas de violência doméstica em dimensões de sua saúde mental, na percepção de suporte social e nas crenças sobre relacionamentos; 3) desenvolver metodologia de ensino de habilidades de intervenção psicológica a mulheres vítimas de violência doméstica, por parte de estudantes de psicologia; 4) refinar estratégias de intervenção e prevenção à violência contra a mulher, a serem aplicadas no campo das políticas públicas, tendo como foco o âmbito da educação e assistência social. A pesquisa terá caráter quali-quantitativo e será realizada a partir de estudos de caso, levantamentos bibliográficos e empíricos e pesquisa aplicada. O embasamento teórico conceitual se pautará em referências interdisciplinares como os Estudos Culturais, A História das Mulheres, as Ciências Sociais, a Análise Comportamental da Cultura, a Terapia Feminista, a literatura sobre intervenções com mulheres vítimas de violência doméstica, e os estudos aplicados em educação e em políticas públicas. Os casos estudados derivarão de intervenções realizadas em instituições educacionais do município de Sobral (Ceará), bem como na Casa da Mulher Cearense de Sobral e no Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Federal do Ceará. As análises e planejamentos de intervenções se basearão na análise funcional de contingências operantes e culturais, ferramenta teórico-metodológica desenvolvida no âmbito da Análise do Comportamento. Como potenciais produções técnicas derivadas desses estudos, pode-se apontar: a produção de mídias e materiais de divulgação científica sobre as relações entre saúde mental, suporte social, crenças sobre relacionamentos e violência contra a mulher; a produção de materiais didático a ser utilizado na formação em Psicologia; relatórios de assessoria descrevendo intervenções realizadas; cursos de extensão sobre saúde mental, suporte social, crenças sobre relacionamentos e violência contra a mulher direcionados a profissionais envolvidos na formação em Psicologia e/ou profissionais envolvidos no trabalho de enfrentamento à violência contra a mulher; eventos sobre violência contra a mulher que articulem pesquisadores e profissionais envolvidos no campo das políticas públicas de educação e assistência social. Espera-se contribuir para: a) promover maior compreensão das variáveis relacionadas aos efeitos e prevenção da violência contra a mulher; b) promover políticas públicas de educação pautada na equidade de raça e de gênero; c) contribuir para a promoção da formação e atuação crítica do estudante no campo interdisciplinar da Psicologia e Políticas Públicas; d) sistematizar o ensino de habilidades importantes ao enfrentamento da violência contra a mullher, tais como reconhecer dinâmicas de violência racial e de gênero, reagir adequadamente a elas, conhecer os canais de denúncia e os dispositivos da região dos quais podem se valer, além de aprender formas alternativas de sociabilidade, que envolvem a valorização, reconhecimento, empatia e compaixão em relação a pessoas negras e/ou mulheres; e) desenvolver, adaptar e avaliar procedimentos de intervenção psicossocial para mulheres vítimas de violência doméstica; f) oferecer subsídios para problematizar e aprimorar a prática dos profissionais de Psicologia e de áreas afins que atuem na prevenção e/ou enfrentamento à violência contra a mulher; g) contribua para a discussão e o aperfeiçoamento das políticas públicas de educação e de assistência no que concerne à prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher; h) contribuir com a democratização do conhecimento sobre a temática; e i) Qualificar profissionais de políticas públicas ao enfrentamento e prevenção das violências de gênero, e suas interseccionalidades com violências raciais.

Dispositivos de redução de danos para os cuidados em saúde dos usuários de álcool e outras drogas

Coordenador: Paulo Henrique Dias Quinderé

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

A compreensão acerca do consumo de drogas ainda é atravessada por uma série de preconceitos e visões estigmatizantes destas substâncias, bem como de quem comercializa e faz os mais diversos usos. O tráfico de drogas ainda é um grande problema social que inviabiliza a inserção dos profissionais de saúde e pesquisadores a compreender e intervir nas cenas de uso, onde os usuários estabelecem relações sociais à “margem” da sociedade dita “normal”. A conformação deste gueto impede que tenhamos uma visão mais pormenorizada de quais são as estratégias que estes usuários produzem para lidar com estes usos de drogas. Diante disso, ainda vemos uma educação para o não uso de drogas, alicerçado em compreensões proibicionistas que inviabilizam estratégias de redução dos riscos e dos danos nas cenas de uso de drogas. Diante disso, como desenvolver estratégias de redução de danos nas cenas de uso de drogas, visto serem lugares estigmatizados e de disputa de território? Como desenvolver estratégias educativas que viabilizem a melhoria das condições de saúde dos usuários de drogas? Como produzir estratégias educativas que incluam a arte como mediadora de aproximação e de cuidado aos usuários de drogas? Quais estratégias de redução de danos condizente com as cenas de uso? Como utilizar estratégias que envolvam a arte como mediadora nas cenas de uso e na produção de estratégias educativas para melhor uso das substâncias psicoativas? Objetivos: Construir tecnologias que possibilitem melhorias das condições de saúde dos usuários de drogas numa perspectiva de redução de danos; Identificar e intervir nas cenas de uso através de estratégias de redução de danos que viabilizem uso de substâncias psicoativas de maneira mais segura e menos prejudicial à saúde do coletivo de usuários; Construir estratégias educativas que auxiliem na criticidade sobre o fenômeno do uso de drogas, e estratégias educativas que possibilite melhor compreensão sobre as drogas e as diversas formas de uso; Fortalecer coletivos de redução de danos Construir de estratégias que utilizam instrumentos lúdicos como forma de educação em relação ao fenômeno do consumo de drogas e as ferramentas artísticas como forma de aproximação e de cuidados aos usuários de drogas. Metodologia: Serão utilizadas metodologias interventivas, pesquisa intervenção, pesquisa-ação, ancorados no método qualitativo numa perspectiva Hermenêutica Fenomenológica com utilização de instrumentos qualitativos e instrumentos quantitativos complementares.. Espera-se com o projeto desenvolver estratégias de redução de riscos sociais e dos danos à saúde dos usuários de drogas. Fomentar mudanças na compreensão acerca do fenômeno do consumo de drogas. Potenciais Produtos Técnicos: Tecnologia Social, Curso Formação Profissional, Produtos Bibliográficos, Manuais e Protocolos.

Subjetividade, saúde no trabalho e políticas públicas: estudos e intervenções para promoção da saúde em contextos laborais

Coordenadora: Renata Guimarães de Carvalho

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

Na sociedade contemporânea processos de trabalho são atravessados por transformações sociais, econômicas, políticas e tecnológicas que trazem implicações como o aumento da insegurança, precarização laboral e foco exacerbado em produtividade e desempenho. Nesse contexto, está o predomínio do gerencialismo que traz a disseminação de ideias, normas e ações que subordinam os sujeitos à economia, com o imperativo da competitividade, flexibilidade e postura empreendedora para obtenção de máximos resultados. Esse cenário produz vivências de sofrimento e acarreta danos à saúde física e mental de trabalhadores. Tendo em vista essas considerações, este projeto propõe um olhar reflexivo sobre transformações laborais na atualidade, discursos gerencialistas e suas articulações com produção de subjetividade e saúde de trabalhadores, dando ênfase a abordagens teóricas das Clínicas do trabalho, especialmente a Psicodinâmica do trabalho, e o que está disposto em políticas públicas no campo da saúde e segurança do trabalhador. Nesse sentido, tem como objetivo geral compreender a relação entre processos subjetivos, saúde e trabalho, em articulação com o campo das políticas públicas, contemplando estudos e intervenções para promoção da saúde em diversos contextos laborais. Tem como objetivos específicos: 1) compreender implicações de processos de transformação do trabalho e de discursos sobre carreira na produção de subjetividade e saúde de trabalhadores; 2) compreender processos psicodinâmicos de prazer e sofrimento, mobilização de inteligência prática, reconhecimento e cooperação entre trabalhadores como fatores mediadores de saúde; 3) identificar fatores de risco psicossocial no trabalho, estabelecendo relações com o campo da saúde e segurança no trabalho; 4) desenvolver protocolos de intervenção individual e em grupo como estratégias de promoção de saúde. Propõe a realização de investigações empíricas e intervenções utilizando métodos qualitativos e quantitativos e tendo como público-alvo trabalhadores inseridos em diversos contextos laborais. Espera-se por meio desses objetivos produzir subsídios teóricos e referências técnicas que tenham por foco a promoção da saúde de trabalhadores, trazendo reflexões e contribuições para políticas públicas na área.

Políticas públicas: olhares caleidoscópicos a partir da filosofia, psicologia e arte

Coordenadora: Rita Helena Sousa Ferreira Gomes

Linha de Pesquisa: Educação e Políticas Públicas

Este projeto se pauta na premissa de que o conhecimento necessário para uma melhor compreensão das políticas públicas demanda a consideração séria da complexidade que compõem e atravessa esta esfera. Assim, a pesquisa pretende tocar em temas desafiadores para o campo da educação e das políticas públicas assumindo uma perspectiva que borra a divisão disciplinar endurecida tradicional e permite o diálogo coerente entre fontes derivadas diversas áreas do saber, com destaque para: filosofia, psicologia e arte. Confiando na potência desse olhar caleidoscópico, a investigação tem como objetivo geral: colaborar com a ampliação e fortalecimento de teorias, práticas e metodologias educativas vinculadas ou passíveis de articulação com políticas públicas que atuem em prol da superação de problemas graves da sociedade brasileira. Especificamente, há interesse em: a) revelar e/ou elaborar conceitos e teorias capazes de embasar práticas e metodologias educativas e/ou políticas públicas que contribuam com a efetivação dos direitos e garantias sociais necessários à vida digna das minorias políticas; b) favorecer a formação cidadã crítica, especialmente em sua dimensão política, através da discussão rigorosa e fundamentada de teorias, práticas e metodologias; c) realizar intervenções que fomentem a transformação social através da valorização dos saberes e culturas dos grupos minoritários, do diálogo, da criatividade, do afeto e da criticidade. Diante destes objetivos, a pesquisa acolhe diferentes metodologias qualitativas, como, por exemplo: bibliográfica, cartografia, etnografia e pesquisa-ação. Finalmente, o projeto deve mostrar seus resultados utilizando-se de produções acadêmicas e técnicas, haja vista a intenção de alcançar tanto intelectuais integralmente dedicados ao âmbito da pesquisa, quanto profissionais e outros atores sociais que dão vida aos cenários educativos e das políticas públicas no cotidiano.

Pesquisa-Intervenção, Micropolíticas e Políticas Públicas Educacionais: Análises dos aspectos psicossociais do preconceito no cotidiano escolar

Coordenadora: Rochelly Rodrigues Holanda

Linha de Pesquisa: Educação e Políticas Públicas

O território escolar constitui um dos principais contextos de socialização, aprendizagem e produção de subjetividades. Entretanto, esse espaço também é marcado por processos nos quais desigualdades sociais, preconceitos e violências são (re)produzidos, tensionados ou transformados. Tal processo ocorre em estreita relação com a forma como políticas públicas educacionais, especialmente aquelas voltadas à promoção da equidade, dos direitos humanos e da prevenção das violências, são concebidas, implementadas e apropriadas no cotidiano das escolas. O projeto tem como referencial teórico-metodológico a pesquisa-intervenção e o pós-estruturalismo, que visam a inserção e a intervenção na micropolítica do cotidiano escolar. Considerando tal cenário, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar as experiências vivenciadas frente aos preconceitos no cotidiano escolar de escolas públicas, contemplando seus efeitos psicossociais, suas dimensões interseccionais e as formas coletivas de resistência que emergem da convivência escolar, bem como suas interfaces com políticas públicas educacionais. Os objetivos específicos incluem: i) compreender os aspectos psicossociais do preconceito e seus atravessamentos em territórios escolares, considerando as articulações micropolíticas e os marcos normativos e programáticos que orientam a política educacional brasileira; ii) cartografar práticas discursivas, tensionamentos, modos de implementação e intervenções (re)produzidas no enfrentamento aos preconceitos nas escolas lócus da pesquisa, analisando como tais práticas expressam, reinterpretam ou deslocam políticas públicas; iii) desenvolver metodologias participativas orientadas pelo campo da Pesquisa-Intervenção, fomentando o diálogo, a corresponsabilidade e o PesquisarCOM a escola, de modo a potencializar processos reflexivos e ações coletivas; iv) analisar como atores escolares compreendem, experienciam e (re)significam políticas públicas educacionais relacionadas aos direitos humanos, à diversidade e à prevenção das violências, identificando seus impactos na produção de subjetividades, nas práticas institucionais e nas dinâmicas de convivência escolar. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa participativa, operada como Pesquisa-Intervenção e alinhada ao ethos cartográfico, pela perspectiva da interseccionalidade e pela compreensão de que a escola é um espaço de produção de micropolíticas e articulação das políticas públicas educacionais. Espera-se que o estudo contribua para a produção de conhecimentos teórico-metodológicos na interface entre Psicologia Escolar e Educacional, juventude e direitos humanos, evidenciando práticas institucionais e coletivas de resistência, criação e cuidado que emergem no cotidiano escolar. Os resultados poderão subsidiar a formulação e qualificação de estratégias pedagógicas e psicossociais, bem como o aprimoramento de políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental, à garantia dos direitos e à prevenção das violências nas escolas. Adicionalmente, pretende-se fortalecer a integração entre universidade e escola pública, reafirmando o compromisso ético-político da Psicologia com a transformação social e com a construção de uma cultura de paz. A partir deste projeto, poderão ser desenvolvidas diversas produções técnicas voltadas à qualificação das práticas escolares e das políticas públicas educacionais. Entre elas, destacam-se: 1) relatórios técnicos contendo análises situacionais sobre preconceitos, violências e estratégias de enfrentamento nas escolas participantes; protocolos de intervenção psicossocial baseados na Pesquisa-Intervenção e orientados ao fortalecimento da convivência democrática, dos direitos humanos e da promoção da saúde mental; 2) guias formativos para professores, gestores e estudantes, sistematizando práticas de promoção da equidade, mediação de conflitos e prevenção das violências; produtos educativos como cartilhas, roteiros de oficinas, planos de aula e materiais digitais voltados ao debate sobre preconceito e diversidade; bem como 3) documentos de recomendação para políticas públicas, contendo subsídios técnico-científicos que possam apoiar a formulação ou requalificação de programas municipais ou escolares. Tais produções têm potencial de fortalecer a articulação entre universidade, escola e gestão pública, ampliando o alcance social da pesquisa e consolidando sua dimensão ético-política.

Pesquisa e intervenção em Políticas Públicas e a interface entre Desenvolvimento Humano, Psicologia da Saúde e Neuropsicologia

Coordenador: Rodrigo da Silva Maia

Linha de Pesquisa: Clínica, Saúde e Políticas Públicas

O presente projeto promove pesquisas e intervenções no campo das políticas públicas em intersecção com os campos do saber da Psicologia do Desenvolvimento Humano, Psicologia da Saúde e/ou Neuropsicologia. A Psicologia do Desenvolvimento Humano caracteriza-se enquanto o estudo sistemático das transformações, mudanças e estabilidades biopsicossociais que permeiam o ciclo vital, da infância até a velhice, desde o nascimento à morte. A Psicologia da Saúde, por sua vez, dedica-se a compreender o papel de variáveis biopsicossociais na manutenção da saúde, no desenvolvimento de adoecimento e em comportamentos relacionados ao processo saúde-doença. Por fim, a Neuropsicologia é a especialidade em psicologia que associa o estudo detalhado do sistema nervoso e a sua relação com o funcionamento cognitivo, o comportamento humano e as expressões emocionais. Alicerçado nestes três campos teóricos, o presente projeto tem o objetivo de desenvolver pesquisas e intervenções no campo das políticas públicas de modo a promover saúde e desenvolvimento pleno ao longo do ciclo de vida para indivíduos e coletividades. Enquanto objetivos específicos pretende-se: a) identificar como o adoecimento interpõe-se em fatores biopsicossociais e/ou neuropsicológicos ao longo do Ciclo Vital; b) investigar de que modo as vulnerabilidades psicossociais impactam sobre o processo de desenvolvimento; c) compreender como as trajetórias de desenvolvimento são impactadas por experiências de adoecimento e sofrimento; d) desenvolver estratégias, ferramentas e tecnologias da psicologia que contribuam para a efetivação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento dos sujeitos e coletividades, que tenham como enfoque os diferentes campos teóricos supracitados. As pesquisas deste projeto privilegiam estudos teóricos, empíricos e metodológicos, com ênfase no uso de métodos de coleta e análise de dados que privilegiem o uso de análises estatísticas e/ou Análise de Conteúdo. Os estudos guiados por este projeto enfocam suas investigações no âmbito das adolescências e juventudes, na gravidez, parto e puerpério, na atenção à pessoa com deficiência, à velhice e às questões étnico-raciais. Espera-se que este projeto auxilie na implementação e efetivação de políticas públicas, as quais corroboram minimizando fatores de risco e potencializando fatores protetivos à saúde e ao desenvolvimento pleno ao longo do ciclo vital.

Psicologia Comunitária, Território e Gênero: práticas de cuidado e intervenções em contextos de pobrezas no SUS e no SUAS

Coordenadora: Vilkiane Natercia Malherme Barbosa

Linha de Pesquisa: Educação e Políticas Públicas

O presente projeto inscreve-se no campo da Psicologia Comunitária e Social, articulado às Interseccionalidades, com foco na produção de sofrimento psíquico e nos processos de subjetivação em territórios atravessados por múltiplas formas de pobreza, desigualdades sociais, raciais, de gênero e ambientais. Parte-se do pressuposto de que tais desigualdades estruturais configuram determinantes centrais das vulnerabilidades psicossociais e impõem desafios à atuação em políticas públicas. Nesse sentido, o estudo problematiza dinâmicas de resistência comunitária, pobreza subjetiva e racismo ambiental, bem como a prática profissional crítica no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Fundamentado nas contribuições da psicologia comunitária latino-americana e nas epistemologias feministas e decoloniais, sob perspectiva interseccional, o projeto tem como objetivo geral analisar experiências de cuidado e intervenção em territórios vulnerabilizados, com especial atenção às práticas comunitárias e intersetoriais mobilizadas diante das desigualdades sociais, das pobrezas e dos conflitos socioambientais. Os objetivos específicos são: 1. Investigar como profissionais da atenção psicossocial, da APS e do SUAS constroem práticas de cuidado e intervenção em territórios marcados por pobreza, desigualdades sociais, de gênero e outras vulnerabilidades estruturais. 2. Mapear estratégias comunitárias e intersetoriais de enfrentamento ao sofrimento psíquico e aos determinantes sociais, ambientais e de gênero em contextos de precarização das políticas públicas. 3. Analisar sentidos de pertencimento, resistência e sofrimento ético-político em comunidades afetadas por pobrezas, conflitos socioambientais e racismo ambiental. 4. Examinar desigualdades sociais e territoriais, bem como os determinantes sociais da saúde, no âmbito da APS e/ou do SUAS. Opta-se por uma abordagem de métodos mistos. A vertente qualitativa será participativa e situada, guiada pela análise crítica do discurso e operacionalizada por meio de entrevistas, grupos focais e observação em campo. A vertente quantitativa basear-se-á em dados secundários e indicadores institucionais (como e-SUS e IBGE). A triangulação entre as abordagens visa ampliar a robustez analítica e a compreensão integrada dos fenômenos psicossociais investigados. Entre as potenciais produções técnicas previstas destacam-se: (1) Guia Técnico: Práticas Comunitárias na APS e no SUAS; (2) Protocolo ou Roteiro de Escuta Qualificada em Contextos de Pobreza e Racismo Ambiental; (3) Protocolo para Grupos Comunitários de Mulheres em Territórios Vulnerabilizados; (4) Mapa Acessível dos Determinantes Sociais e Ambientais do Território; e (5) Cartilha comunitária “Direitos, Território e Cuidado”. Considera-se, por fim, que a análise do cuidado e das intervenções em territórios vulnerabilizados requer a incorporação dos determinantes sociais, culturais, de gênero e ambientais que configuram as formas de sofrimento e subjetivação. As repercussões sociais do projeto incluem o fortalecimento da escuta qualificada em contextos de injustiça social, a produção de conhecimento aplicável à atuação participativa em saúde e assistência social e a qualificação da formação profissional orientada por práticas de cuidado integradas, inclusivas e sensíveis às realidades territoriais.

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